18/12/2011

Bettembourg financia projectos em Cabo Verde

O Município de Bettembourg vai financiar dois projectos nos sectores de extensão da rede de água e da educação submetidos pela Câmara Municipal de São Filipe (ilha de Fogo, Cabo Verde) no quadro da cooperação descentralizada com esse país.

A decisão foi comunicada ao presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Eugénio Veiga, esta semana num encontro na Praia em que ficou a saber-se que as acções de cooperação bilateral Luxemburgo/Cabo Verde vão ter início efectivo no princípio de 2012 com projectos na área de água e saneamento.

São Filipe deve igualmente beneficiar de intervenções no sector da educação, cujo projecto está orçado em cerca de 15 mil contos cabo-verdianos e prevê a ligação de luz eléctrica nas escolas ainda não contempladas, construção ou melhoria das instalações sanitárias, capacitação de professores na área de informática e aquisição de computadores para equipar as escolas do município.

No domínio da água, o financiamento é superior a 15 mil contos e vai contemplar a extensão da rede de água a partir de Inhuco até Ribeira Filipe que, no quadro da utilização do fundo de contrapartida da ajuda alimentar luxemburguesa, vai ser alargada até Campanas de Cima, cobrindo assim quase todas as localidades do município.

Esses dois projectos já se encontram no Ministério da Cooperação do Luxemburgo e têm já financiamento garantido, devendo o fundo de contrapartida da ajuda alimentar do Luxemburgo financiar outros dois projectos já acordados: a extensão de água até Campanas de Cima e a construção do matadouro na cidade de São Filipe.

Ao todo, explicou Eugénio Veiga, São Filipe vai receber da Cooperação luxemburguesa cerca de 70 mil contos para os quatro projectos.
Fonte: Inforpress

17/12/2011

Morreu Cesária Évora

A cantora cabo-verdiana Cesária Évora morreu hoje, aos 70 anos, no Hospital Baptista de Sousa, na ilha de São Vicente, Cabo Verde, disse à Lusa fonte hospitalar. A "diva dos pés descalços", como a imprensa se referiu muitas fez a Cesária Évora, nasceu há 70 anos na cidade do Mindelo, na ilha cabo-verdiana de S. Vicente no seio de uma família de músicos.
Numa das muitas entrevistas que deu, certa vez, afirmou: "tudo à minha volta era música". O pai, Justiniano da Cruz, tocava cavaquinho, violão e violino, instrumentos que se tornaram característicos daquelas ilhas, o irmão, Lela, saxofone, e entre os amigos contava-se o mais emblemático compositor cabo-verdiano, B. Leza.

O Governo cabo-verdiano decretou luta nacional para o dia em que se realiza o funeral de Cesária Évora.

«Cesária Évora, que promoveu tanto Cabo Verde, deu um contributo inestimável para que esta Nação pudesse ter grandeza e auto estima, orgulho de ser Cabo Verde, mas também a enorme projeção que fez de Cabo Verde no mundo», afirmou José Maria Neves, primeiro-ministro cabo-verdiano, citado pela Inforpress.

Nome mais internacional de Cabo Verde

"Cize" como era carinhosamente tratada pelos amigos, tornou-se no nome mais internacional de Cabo Verde, país de onde o mundo conhecia já grandes músicos como Luís Moraes e Bana.

Desde cedo que Cesária Évora se lembrava de cantar, como referiu numa das muitas entrevistas que deu: "Cantava ao ar livre nas praças da cidade para afastar coisas tristes". Aos 16 anos canta nos bares das cidade e nos hotéis começando a ganhar uma legião de fãs que a aclamavam já como "rainha da morna".

A independência da nação africana, em 1975, coincide com o início de um "período negro" da cantora que deixa de cantar, tem problemas com o alcoolismo e trabalha noutra área.

Em 1985 a convite de Bana, proprietário de um restaurante e uma discoteca com música ao vivo em Lisboa, Cize vem a Lisboa e grava um disco que passou despercebido à crítica, seguindo para Paris onde é "descoberta" e daqui, como aconteceu com outros cantores, partiu para os palcos do mundo.

Em 1988 grava "La diva aux pied nus", álbum aclamado pela crítica. Nesta fase da sua carreira tem um papel fundamental, que se manteve até ao final, o empresário francês José da Silva.

Grammy para Melhor Álbum

Em 1992 Cesária Évora gravou "Miss Perfumado" e aos 47 anos torna-se uma "estrela" internacional no mundo da world music, fazendo parcerias com importantes músicos e pisando os mais prestigiados palcos.
Uma carreira internacional que passou várias vezes por palcos portugueses cujas salas esgotavam para ouvir, entre outros êxitos, "Sôdade".

Em 2004 recebeu um Grammy para o Melhor Álbum, de world music contemporânea pelo disco "Voz d'Amor". "Cize" não pára e continua em sucessivas digressões, regressando de quando em vez à sua terra natal.

"Eu preciso de quando vez da minha da terra, do povo que sou e desde marulhar das ondas", confidenciou certa vez à Lusa.

A cantora começa a enfrentar vários problemas de saúde e alguns "sustos" como afirmava, mas regressava sempre aos palcos e aos estúdios com alegria.

Em 2009 o Presidente francês Nicolas Sarkozy entrega-lhe a medalha da Legião de Honra, depois de uma intervenção cirúrgico que a levou a temer pela vida.

Carreira termina por conselho médico

Cesária voltou aos estúdios e anunciou não só uma digressão como a gravação de um novo que deveria sair no próximo ano.

No dia 24 de setembro numa entrevista ao Le Monde a cantora afirma que tem de terminar a carreira por conselho médico. A sua promotora, Tumbao, emite um comunicado confirmando as declarações da "diva dos pés descalços", e dando conta da tristeza que sentia por ter de o fazer. Nesse mesmo dia ao princípio da tarde a cantora é internada no hospital parisiense de Pitie-Salpetriere, por ter sofrido "mais um acidente vascular cerebral (AVC)". A Tumbao emitiu nesse mesmo dia um comunicado dando conta que o diagnóstico clínico da mais internacional artista cabo-verdiana era "reservado".

Hoje Cize, aos 70 anos, completados no passado 27 de agosto, e após uma curta visita a Lisboa onde pediu para passear a pé pelo bairro de São Bento.

Ao longo da carreira, além das inúmeras digressões e atuações em televisões, gravou 24 álbuns, um DVD, "Live in Paris", e registou dezenas de colaborações em discos.

14/12/2011

Escuteiros de Santo Afonso em acção por Cabo Verde

Os pioneiros de Santo Afonso contam a a ajuda do Comité Spencer neste projecto Foto: Edna Tavares
O grupo de escuteiros de Santo Afonso vai sair novamente à rua neste fim-de-semana por uma boa causa: angariar fundos para o envio de material didáctico para Cabo Verde. O agrupamento português no Luxemburgo montou no sábado passado uma barraquinha na rue des Capucins, na capital, para sensibilizar quem passava para o projecto. Parte do grupo de escuteiros esteve também em Oberpallen (às portas da fronteira belga e perto de Redange), onde recolheu diversos materiais escolares. Esta acção repete-se neste sábado e domingo.

"Este projecto partiu do grupo de pioneiros de Santo Afonso e tem a parceria do Comité Spencer. Estamos a angariar fundos para ajudar crianças que não têm livros, cadernos, lápis ou outro tipo de material escolar. Se as pessoas não têm esses materiais escolares, em alternativa podem também entregar fundos, que com esse dinheiro vamos comprar material para essas crianças de Cabo Verde", refere o responsável dos caminheiros, Manuel Taveira.

O polo educativo de Santa Cruz conta com cerca de 300 alunos
Os montantes recolhidos vão servir para ajudar o pólo educativo no 5 do concelho de Santa Cruz, na ilha de Santiago, que compreende cerca de 300 alunos e tem carência de material didáctico. A escola tem cinco salas, uma cozinha, duas casas de banho e um refeitório.

"Os donativos ainda fazem diferença para muitas crianças", garante Edna Tavares, do Comité Spencer, que assegura também o envio de alguns computadores e fotocopiadoras cedidos pela comuna do Luxemburgo.

Ao longo de todo o dia, a cabana, montada na rue dos Capucins, foi local de paragem para muita gente que passava por aquela zona do centro histórico da capital, sobretudo portugueses.

"Abordamos as pessoas que passam e há quem dê e outros que não, mas o escuteiro está sempre com um sorriso nos lábios. Os portugueses são os que ficam mais por aqui", diz Manuel Taveira.

Os escuteiros de Santo Afonso são o único grupo escutista de língua portuguesa no Grão-Ducado, e contam ainda com "quatro ou cinco cabo-verdianos".

O material didáctico ainda faz diferença
O grupo tem viajado também para o estrangeiro, e já no Verão de 2012 vai participar num acampamento internacional, na Áustria.

O agrupamento conta com cerca de 80 membros, mas continua aberto a todos que queiram participar nas actividades dos Lobitos (dos seis aos 10 anos), Exploradores (dos 11 aos 14), Pioneiros (dos 15 aos 18) ou Caminheiros (dos 18 aos 23 anos). As actividades decorrem aos sábados entre as 15h e as 17h, nas traseiras da igreja de Santo Afonso, na capital.

Esta acção dos escuteiros vai repetir-se no sábado, dia 17 de Dezembro, na capital, ao lado do "Théatre des Capucins" (rue des Capucins).

Para mais informações sobre este projecto solidário, os interessados podem dirigir-se à sede dos escuteiros de Santo Afonso (4, rue du Curé) ou contactar o Comité Spencer (pelo email henri.fischbach@education.lu ou pelos telefs. 691 834 356 e 30 86 18).

HB

Associações luxemburguesas ajudam jovens cabo-verdianos

A delegação esteve no terreno para avaliar o projecto
As associações "Cap Vert Espoir et Développement" (CVED), Farmacêuticos sem Fronteiras (PSF) e os Black Boys levam a cabo um projecto sócio-educativo junto do município de São Miguel, na ilha de Santiago, Cabo Verde.

O concelho de São Miguel é um dos mais pobres de Cabo Verde e o trabalho sócio-educativo com os jovens é uma prioridade.

Recentemente, uma delegação luxemburguesa de seis pessoas, composta por membros da CVDE e PSF, esteve em Cabo Verde para estudar a aplicação do projecto no terreno. As associações vão agora disponibilizar 10 mil euros a uma associação local cabo-verdiana para dar corpo ao projecto.

"Apoiar a comunidade escolar de São Miguel nas actividades desportivas, culturais e educativas" são os objectivos deste projecto, que quer de uma maneira clara "lutar contra o abandono escolar, a tendência para a delinquência e o consumo de estupefacientes", referem as associações em comunicado.

Em 2010, durante a visita de uma delegação luxemburguesa ao conselho de São Miguel, a CVED foi convidada pelo presidente da Associação Juvenil Esperança e Paz (AJEP) a desenvolver um projecto sócio-educativo. Esta associação local bate-se diariamente em prol da melhoria das condições de vida dos habitantes de São Miguel, nomeadamente dos seus jovens, mas tem poucos meios financeiros. Foi já no mês de Novembro, com a visita de outra delegação, que se aprofundou o conhecimento das necessidades mais urgentes da comunidade escolar de São Miguel. Encetaram-se diversos encontros e seminários entre a delegação luxemburguesa, a AJEP e as autoridades locais. Como resultado, foram apontados alguns problemas a combater.

"Existe uma ausência de transporte escolar que dê respostas aos alunos que habitam em zonas mais recônditas do concelho, que é um dos mais pobres de Cabo Verde. As localidades são muito dispersas e afastadas do liceu da Calheta", refere a associação.

A entrega de equipamentos também faz parte do projecto
"Os jovens estão entregues a si mesmos, frequentemente ociosos e vulneráveis", uma preocupação também notada nas reuniões. "A AJEP precisa de um local para organizar actividades culturais e educativas com os jovens; de um meio de transporte para as crianças, no âmbito das actividades extra-escolares (encontros desportivos, concertos musicais, representações de dança e teatro), mas também a fim de transportar os alunos para o liceu", lê-se ainda no comunicado.

As associações luxemburguesas vão pôr à disposição da AJEP 10 mil euros para prosseguir com o projecto. Desta forma, a AJEP pode desenvolver parcerias com outras entidades cabo-verdianas (autarquia de São Miguel, diversos ministérios e liceu da Calheta), melhorar as acções que realiza em prol dos jovens e adquirir equipamentos desportivos, instrumentos musicais e trajes para as actividades com jovens.

A CVED trabalha no reforço das capacidades locais, ao fazer participar a população cabo-verdiana em acções de desenvolvimento sustentável. Os Black Boys têm-se destacado em projectos desportivos e os Farmacêuticos Sem Fronteiras fornecem e distribuem medicamentos em diversos projectos em África e na Ásia.

A comuna de Ettelbruck, o Clube Richeleau e o Ladies Circle são os parceiros financeiros deste projecto.

HB

Santo Antão: IC socializa temática das migrações, família, diáspora e associativismo na ilha

Foto: asemana
O Instituto das Comunidades (IC), em parceria com os Centros da Juventude e Liceus dos três Concelhos de Santo Antão, levou a cabo ontem um workshop sobre migrações, família, diáspora e associativismo no Internato da Ribeira Grande. Mais de uma centena de pessoas, vindas do Porto Novo, Paul e Ribeira Grande participaram no encontro.

O sociólogo e investigador das Migrações, Júlio Santos Rocha, em representação do (IC), Celeste Monteiro, em representação da Embaixada de Luxemburgo em Cabo Verde e Paulo Rodrigues, em representação da Câmara Municipal da Ribeira Grande, presidiram ao evento.

“A importância da comunicação entre familiares na diáspora e em Cabo Verde, o reagrupamento familiar, os acordos de migração e de mobilidade entre Europa e Cabo Verde, a integração dos emigrantes e o associativismo” foram, de entre outros, os principais temas discutidos no encontro.

Declamação de poemas, apresentação de uma peça teatral e algumas mornas sobre a problemática da emigração, antecederam o início do workshop, que mereceram grandes aplausos por parte dos presentes.

Fonte: asemana

07/12/2011

Escuteiros de Santo Afonso solidários com crianças de Cabo Verde

No âmbito do projecto de solidariedade com crianças de Cabo Verde, os escuteiros de Santo Afonso vão animar um "chalet" neste sábado, dia 10, na rue des Capucins, na capital, com o objectivo de recolher fundos para ajudar uma escola na ilha de Santiago.

Trata-se de um projecto conjunto com o Comité Spencer cujo objectivo é apoiar crianças de Cabo Verde através de envio de material escolar.
Os escuteiros pretendem também estar presentes nas grandes superfícies comerciais onde vão apelar ao espírito solidário das pessoas e recolher material escolar: lápis, borrachas, cadernos, entre outros, serão bem-vindos.
Todo o material recolhido no âmbito deste projecto será entregue ao Comité Spencer, que se responsabiliza pelo envio para Cabo Verde.

Fonte: Contacto/Aleida Vieira

04/12/2011

Comité Spencer ajuda a produzir lixívia em escola de Cabo Verde

A associação Comité Spencer, com sede no Luxemburgo, deu mais uma mostra de cooperação com Cabo Verde. O Comité Spencer entregou equipamentos para  a electrolisação de água do mar ao Liceu Suzete Delgado da Ribeira Grande, Santo Antão, para produzir lixívia. O processo de “Electrolisação da água do mar”, de qualidade igual à importada do exterior, permite já ao liceu ultrapassar as suas necessidades de consumo.

O Liceu Suzete Delgado tem uma capacidade tecnológica montada, que produz 110 litros de lixívia de quatro em quatro horas, com qualidade igual à "importada do exterior", que ultrapassa as necessidades internas de utilização na escola. O excedente é distribuído para o Hospital regional João Morais, Internato, Liceu de Coculi e outras escolas.

Segundo o responsável de manutenção dos equipamentos e da produção, António Maurício, “a lixívia contém 4,5 por cento de cloro activo por quilo e uma capacidade de 950 gramas de hipoclorito de sódio”.

Os equipamentos do sistema de “electrolisação de água do mar” foram oferecidos ao Liceu “Suzete Delgado”, pela Associação “Comité Spencer”, do Luxemburgo. “Produzir cloro para tratamento de água, para consumo dos alunos, professores e dos funcionários do liceu”, foram, de entre outros, os objectivos da oferta.

A apresentação pública do sistema foi feita no decorrer da última “Feira de Ciência”, realizada na passada semana pela Direcção do Liceu Suzete Delgado na Cidade da Ribeira Grande. Nessa feira, de entre outras actividades realizadas, destaca-se a palestra sobre energias renováveis em Cabo Verde, proferida pelo professor da UNI-CV, Rui Paisana, que despertou muito interesse no seio dos alunos.

Fonte: Asemana

01/12/2011

"Temos de investir na educação dos filhos e isso não é só com dinheiro"

Os pais estiveram atentos aos conselhos
de Lúcio Cabral e querem mais
 Maior acompanhamento escolar por parte dos pais, melhor conhecimento da nova linguagem dos filhos, noção da identidade cultural, responsabilidade do emigrante, mas também boas práticas da sociedade de acolhimento podem ser a chave para o sucesso educativo das crianças cabo-verdianas no Luxemburgo.

Estas foram algumas das conclusões da primeira mesa-redonda sobre a educação, integração e cultura cabo-verdianas, levada a cabo pela Associação dos pais de alunos de origem cabo-verdiana (Apadoc), este domingo, no Centre Sociétaire, na capital luxemburguesa.

Para combater o insucesso escolar, o trabalho com os pais parece ser a prioridade tanto em Cabo Verde, em Portugal, como no Luxemburgo, defendeu o painel de especialistas.

"A nível de ensino, a conclusão a que chegamos é que o maior problema é a falta de empenho, no sítio certo, dos pais. Daí a importância deste trabalho da Apadoc para explicar aos pais o ‘abc’ da escola, o que ela é, para que serve, como está organizado o sistema de ensino e como chegar à linguagem dos iPhone's, Ipad's e Ipod's dos filhos de hoje em dia", refere a linguista Aleida Vieira.

"A presença do pai e da mãe, juntos, nas reuniões, vai dar ao professor um maior reconhecimento como autoridade e, por outro lado, dá motivação ao aluno no estudo. Os professores precisam da ajuda dos pais e se estes não aparecem nas reuniões, os professores 'marimbam-se' para os alunos", sustenta o professor Lúcio Cabral.

A par desta questão, é preciso também trabalhar a identidade cultural para se poder descobrir e aceitar o outro.

"Como diz o ditado: ‘aquilo que o berço dá, só a cova pode tirar'. A família tem um papel importante na transmissão da cultura e se um indivíduo é culturalmente bem formado, vai estar aberto às outras culturas e vai ser mais bem-sucedido na integração", acrescenta Lúcio Cabral.

A personalidade do aluno, o esforço na aprendizagem de uma das línguas locais, o sentido de responsabilidade enquanto emigrante também podem ter influência nesta dinâmica. Da parte da sociedade de acolhimento também se esperam boas práticas que conduzam ao sucesso escolar e não ao insucesso. Sendo o sistema educativo idêntico ao cabo-verdiano, em Portugal não existem entraves a nível do sistema para os alunos cabo-verdianos. Já no Luxemburgo o mesmo não se pode dizer.

Em Portugal, o maior problema são os guetos, diz Aleida Vieira
"O grande problema em Portugal são os bairros sociais, os tais guetos e outras questões sociais. Aqui no Luxemburgo isso não acontece, mas pode vir a acontecer. Não existem aqueles 'prédios-prisões' como em Portugal, mas há zonas em que se pode dizer ‘isto aqui é dos portugueses, ali é dos italianos'. Este é um ponto que o Luxemburgo deve combater para não se chegar ao nível extremo de Portugal", sustenta a linguista Aleida Vieira.

Se esta estrutura urbana pode ser uma ameaça, o sistema educativo luxemburguês é já uma dificuldade para muitos alunos cabo-verdianos.

"O sistema educativo luxemburguês começa por privilegiar a fala do luxemburguês e o alemão entra logo na primária. A língua francesa é introduzida no terceiro ano e o alemão regressa no secundário", refere a técnica do ministério da Educação do Luxemburgo, que esteve na assistência, Cidália Monteiro.
"O alemão acaba sempre por dominar, mas se o sistema permitisse aulas no ensino secundário também em língua francesa, para os alunos mais propensos à francofonia, seria mais fácil para muitos alunos conseguirem os seus objectivos. Mas isto é uma utopia", desabafa a funcionária do ministério da Educação.

Mas para alcançar o sucesso escolar, é imprescindível que os pais cabo-verdianos estejam "informados".
"Têm de saber o que os filhos estão a estudar e porquê são encaminhados para 'vendeuse‘ ou outros cursos técnicos. Têm de ir à escola e dizer não, se for preciso. Dizer que o filho quer ir para a faculdade e que tem essa capacidade. Se isso acontecer, muitos filhos vão sentir essa protecção dos pais, e vai ser mais fácil realizar os seus sonhos", defende Aleida Vieira.

É o futuro dos filhos que está em causa, mas dos pais também. "Temos de investir na educação dos filhos e isso não é só com dinheiro. O tempo é importante. Temos de acompanhar os nossos filhos e fazê-los ver a importância dos estudos porque, senão, mais tarde são os pais que vão continuar a sustentar os filhos já adultos, quando deviam estar formados e a trabalhar. O investimento na educação tem de começar desde cedo para que mais tarde os custos não venham a ser maiores", exorta Lúcio Cabral.

A Encarregada de Negócios da embaixada de Cabo Verde, Clara Delgado, esteve também presente para saudar a iniciativa da Apadoc e aproveitou para reconhecer os "bons e experientes quadros cabo-verdianos que vieram discutir com os pais temas prementes, pois fala-se muito do insucesso escolar no Luxemburgo". Clara Delgado defende que "sem educação não há integração e sem integração será difícil educar-se". Para a presidente da Apadoc, Joana Ferreira, "este é o primeiro de outros sucessos que virão", mas ainda assim precisa de "mais apoio dos pais para uma tarefa que é de todos". 
HB